De volta à pilantragem

Simonal

A história do cantor cheio de marra e da ginga apelidada de “pilantragem”, Wilson Simonal, que recebeu a pecha (nunca confirmada) de informante do governo militar nos anos 70, desperta sentimentos distintos em públicos distintos. Quem viveu os áureos tempos dos anos 60 vai se reconhecer como parte daquela multidão comandada pelo rei da cocada preta, que cantava, em coro, “meu limão, meu limoeiro, meu pé de jacarandá…”.

Os que viveram a época, mas ainda eram crianças, se lembrarão do memorável show no Maracanazinho, das aparições na TV e passarão a entender porque Simona desapareceu da história da música brasileira. Porém, o maior efeito que o documentário pode causar é na nova geração, que passou toda a vida sem conhecer um dos mais talentosos artista da música nacional.

Com depoimentos de personalidades como Chico Anysio, Tony Tornado e Ziraldo, ‘Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Eu Dei’, desvenda a verdadeira história do cantor condenado pela imprensa e pela classe artística ao ostracismo. Se o tempo não para – e não volta – pelo menos uma nova geração de fãs de Simonal está prestes a se formar.

(texto publicado no Jornal da Metrópole, edição do dia 29/5/9)

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Nave repaginada

Elenco de Star Trek

Elenco de Star Trek

O seriado ” Star Trek – Jornada das Estrelas”  foi criado nos idos de 1966, mas uma das primeiras cenas do novo longa da série, que chegou às telonas na semana passada, já deixa bem claro que os tempos são outros.

A cena de ação é protagonizada por uma versão juvenil de James Kirk, o “futuro capitão” da lendária nave USS Enterprise. Kirk é perseguido por um policial enquanto dirige, em alta velocidade, um possante dos anos 70. Poderia ser uma cena de ação comum se a música Sabotage, dos Beastie Boys, não servisse de trilha sonora e rememorasse um dos videoclipes mais cultuados da chamada “geração MTV”.

Quanto ao “futuro capitão” James Kirk, é isso mesmo. “Star Trek” versão 2009 remonta as origens dos tripulantes da Enterprise e sugere, inclusive, mudanças significativas numa possível continuação. Mudanças sim, mas nada que afete os importantes Kirk, Spock e McCoy. Eles estão todos lá, fielmente, e os fãs podem respirar aliviados.

Repaginação à parte, o mais legal do novo Star Trek é ser um filme bem humorado e convincente para além dos trekkies – como são conhecidos os fãs da série. Quem não está familiarizado com o tema se interessa pela narrativa coesa e imune a escorregadelas nos conceitos da física, como vácuo, supernova e buraco negro. Assim, se pode até tentar, mas buracos e falhas não são encontrados na trama dirigida por J.J. Abrams – o mesmo dos seriados ‘Alias’ e ‘Lost’.

Ah, mais um ponto para Star Trek: as cenas de explosão no espaço não têm barulho, olha só! Geralmente, os longas de ficção científica, como a saga Star Wars, ignoram o fato de que não existe som no vácuo. Pode ser apenas um detalhe para muitos, mas por cuidados como este J.J. Abrams bem que merece uns aplausos.

(integra do texto publicado no Jornal da Metrópole, edição do dia 15.5.9)