De volta à pilantragem

Simonal

A história do cantor cheio de marra e da ginga apelidada de “pilantragem”, Wilson Simonal, que recebeu a pecha (nunca confirmada) de informante do governo militar nos anos 70, desperta sentimentos distintos em públicos distintos. Quem viveu os áureos tempos dos anos 60 vai se reconhecer como parte daquela multidão comandada pelo rei da cocada preta, que cantava, em coro, “meu limão, meu limoeiro, meu pé de jacarandá…”.

Os que viveram a época, mas ainda eram crianças, se lembrarão do memorável show no Maracanazinho, das aparições na TV e passarão a entender porque Simona desapareceu da história da música brasileira. Porém, o maior efeito que o documentário pode causar é na nova geração, que passou toda a vida sem conhecer um dos mais talentosos artista da música nacional.

Com depoimentos de personalidades como Chico Anysio, Tony Tornado e Ziraldo, ‘Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Eu Dei’, desvenda a verdadeira história do cantor condenado pela imprensa e pela classe artística ao ostracismo. Se o tempo não para – e não volta – pelo menos uma nova geração de fãs de Simonal está prestes a se formar.

(texto publicado no Jornal da Metrópole, edição do dia 29/5/9)

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Vizinhos, bleh.

Eu sempre quis ter uma casa, ou melhor, morar numa casa pelo clima bucólico — tem, né? — e pela possibilidade de ter uma escada no meio da sala. São atrativos importantes, mas meu objetivo principal vai além. O negócio, minha gente, é nunca mais ter que suportar moradores de condomínio.

vizinhos, bleh Convenhamos que morar num condomínio é deveras irritante. Eu sou do tipo anti-social e adquiri um péssimo hábito com o meu pai. Eu, antes de abrir a porta, vou ao olho mágico ver se tem alguém lá fora esperando o elevador. Se tiver, eu sento e espero a pessoa ir embora e só depois saio de casa.

Coisa feia, eu sei, mas é que eu realmente não me interesso em fazer amizades, nem descer pro play — já passei da fase, não? — e muito menos em participar de reuniões de condomínio. O problema é que os outros moradores não aceitam minha opção, acreditando que todos nós, moradores do condomínio, deveríamos nos unir como uma equipe, um time, uma seleção e lutar contra os lactobacilos vivos*.

Enfim, algumas coisas me irritam MUITO em moradores de condomínio. Tanto que resolvi listar:

1. Conversas de elevador. É um tal de “nossa, mas a chuva não para em Salvador, hein?” ou um tal de “que trânsito infernal, não é mesmo?” que haja paciência. Para cortar sem ser tão mal educado, só mesmo os pequenos grunhidos de “uhum” e risadinhas tímidas que significam “ok, mas cale a boca e me deixe em paz com meus pensamentos!”

2. Boas praça. Ah, sempre tem aquelas pessoas que são as mais simpáticas do condomínio e simplesmente não entendem porque SÓ VOCÊ não tá nem um pouco afim de ser amiga delas. Não tem jeito, aí você tem que ignorar a pessoa e não dar trela quando ela consegue chegar a meio metro de você contando como a vida está difícil.

3. Cachorros. Quem me conhece há muito tempo sabe que meu drama com os animaizinhos acabou. Eu agora gosto deles e tudo mais, mas acho um total absurdo manter cachorros em apartamento. Os pequeninhos ainda vai, mas, aqui no condomínio, tem uma cadela igual àquela Priscila da TV Colosso. Ah, mas me poupem! Eu não sou obrigada a entrar no elevador com um cachorro desse tamanho! O dono mal consegue segurar a dita pela coleira! E outra, eu agora gosto de cachorros, mas antes não, e existem pessoas que também não. Portanto, RESPEITEM!

4. Síndicos. Como eu já mencionei, não participo de reuniões de condomínio. Mas a síndica não se conforma e basta me encontrar pra pedir uma opinião. Da última vez, ela veio me perguntar se eu tinha gostado da nova cor do hall de entrada do prédio. Detalhe: meu prédio é vinho, cinza e branco, bem bonito, e o hall é uma variação de AZUL TURQUESA. O que eu fiz?

– Você gostou, Lari?

– Uhum.

5. Por fim, tem as mães que querem aproximações familiares visando alguma união estável no futuro, ou sei lá o que. Aí pode ser a 49ª ou a 60ª vez que me encontram, mas sempre perguntam o que eu faço da vida e se surpreendem com minha suposta inteligência.

– Você cursa o que?

– Jornalismo.

– Na UFBA?

– É.

– Nossa, é estudiosa mesmo! O Fernandinho faz direito na Faculdade da Cidade, sabe? Já ta estagiando, quer seguir a área penal…

– Uhum.

*Eu sei o que são lactobacilos vivos, antes que me chamem de burra. Eu só acho um nome legal a ser combatido, tá?

Nave repaginada

Elenco de Star Trek

Elenco de Star Trek

O seriado ” Star Trek – Jornada das Estrelas”  foi criado nos idos de 1966, mas uma das primeiras cenas do novo longa da série, que chegou às telonas na semana passada, já deixa bem claro que os tempos são outros.

A cena de ação é protagonizada por uma versão juvenil de James Kirk, o “futuro capitão” da lendária nave USS Enterprise. Kirk é perseguido por um policial enquanto dirige, em alta velocidade, um possante dos anos 70. Poderia ser uma cena de ação comum se a música Sabotage, dos Beastie Boys, não servisse de trilha sonora e rememorasse um dos videoclipes mais cultuados da chamada “geração MTV”.

Quanto ao “futuro capitão” James Kirk, é isso mesmo. “Star Trek” versão 2009 remonta as origens dos tripulantes da Enterprise e sugere, inclusive, mudanças significativas numa possível continuação. Mudanças sim, mas nada que afete os importantes Kirk, Spock e McCoy. Eles estão todos lá, fielmente, e os fãs podem respirar aliviados.

Repaginação à parte, o mais legal do novo Star Trek é ser um filme bem humorado e convincente para além dos trekkies – como são conhecidos os fãs da série. Quem não está familiarizado com o tema se interessa pela narrativa coesa e imune a escorregadelas nos conceitos da física, como vácuo, supernova e buraco negro. Assim, se pode até tentar, mas buracos e falhas não são encontrados na trama dirigida por J.J. Abrams – o mesmo dos seriados ‘Alias’ e ‘Lost’.

Ah, mais um ponto para Star Trek: as cenas de explosão no espaço não têm barulho, olha só! Geralmente, os longas de ficção científica, como a saga Star Wars, ignoram o fato de que não existe som no vácuo. Pode ser apenas um detalhe para muitos, mas por cuidados como este J.J. Abrams bem que merece uns aplausos.

(integra do texto publicado no Jornal da Metrópole, edição do dia 15.5.9)